30 setembro 2006

DESABROCHAR



Que a força das entranhas que trago no ventre
Não impeça de sentir o que almejo.
Que a beleza das flores que vejo, por descuido
Não fira minhas mãos com os espinhos
Porque metade do que sou veio das costela de Adão
E a outra metade do pecado de Eva.

Que todo sonho de menina que um dia tive,
Esteja presente a cada passo na transformação de mulher.
Que o homem dos sonhos, ainda que distante,
Não venda somente sonhos, doces ...
Que se mostre por inteiro
Sem medo de se entregar,
Porque o sonho e entrega caminham juntos.

Que as palavras proferidas pelos meus gestos
Não gestem preces ou súplicas,
Apenas respeitadas, compreendidas ...
Porque todas elas advêm do coração.

Que essa vontade incontida de sair
Pela estrada florida da vida, sentindo o cheiro de terra molhada,
O gosto da chuva serrada molhando meu corpo
Não seja vista como loucura,
Mas refletida no espelho da felicidade.

Enfim ...
Que as lembranças sejam guardadas em versos e canções
E as paixões afloradas no alto da serra,
Abrigadas pelo calor de um vulcão
Porque um dia certamente poderá reascender.


Silvia Kerner
02/08/98

Um comentário:

Denise disse...

Nossa, Silvia! que lindo!
Adorei a delicadeza do blog e a doçura das poesias.
Foi um prazer vir aqui, vai lá me ver também!
Beijuuuu!